Enquanto o mercado monitora cada megawatt e cada chip do ciclo de IA, outro déficit estrutural cresce silenciosamente: a capacidade de construção naval fora da China. Os estaleiros chineses possuem capacidade cerca de 230 vezes superior à americana e lançam mais da metade da tonelagem global. Washington classificou isso como vulnerabilidade de segurança nacional: em abril de 2025, a Casa Branca assinou um decreto para reconstruir o poder marítimo, em outubro entraram em vigor taxas portuárias para navios construídos na China e o acordo comercial com a Coreia incluiu o pacote MASGA (US$ 150 bilhões para cooperação naval). Um navio é um ativo para 25 a 30 anos, portanto até uma suspensão de tarifas por um ano (fruto da trégua de Busan) deixa um prêmio de risco duradouro: armadores que planejam décadas à frente preferem pagar a mais por uma vaga na Coreia ou Japão a arriscar que seu navio chinês seja alvo da próxima rodada tarifária.
O problema é que a capacidade fora da China é estruturalmente escassa. Após uma década de falências e consolidação, a capacidade ativa global encolheu cerca de um terço desde o pico de 2011, e a própria Coreia fechou grande parte de suas docas após a crise de 2015-2016. Resultado: os três gigantes de Seul têm carteiras de pedidos cheias até 2028-2029, o índice de preços de navios novos permanece perto de máximas históricas e os estaleiros podem escolher contratos, priorizando gaseiros e embarcações bicombustível de alta margem.